segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Nunca vou entender


Mais um domingo que você me liga. Igual faz a uns quatro ou cinco anos. Você beija a sua mãe depois do churrasco, dá um oi carinhoso e finalmente pensa sem culpa na sua ex, cheira sua camiseta pra ver se a coisa tá muito feia e descobre que sua vida está prestes a ficar vazia: chegou a hora de me ligar.Você não sabe ao certo o que vê em mim, mas também não sabe ao certo o que não vê. Você sabe que pode ter uma mulher mais gostosa do que eu, mas por alguma razão prefere a gostosa garantida, aquela que ainda ri das suas piadas. Mesmo sendo as mesmas piadas há quatro ou cinco anos. Aí você me liga, com aquele ar descompromissado e meigo de quem só quer ir no cinema com uma velha amiga. Eu não faço a menor idéia do que vejo em você, mas também não faço idéia do que não vejo. Eu posso ter um outro cara como de fato já tive milhares de vezes. Mas por alguma razão prefiro suas piadas velhas e seu jeito homem de ser. Você é um idiota, uma criança, um bobo alegre, um deslumbrado, um chato. Mas você é homem. E talvez seja só por isso que eu ainda te aguente: você pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda é melhor do que o resto do mundo. Aí a gente, sem saber ao certo o que está fazendo ali, mas sem lugar melhor para estar, acaba pulando o cinema que nunca existiu e indo direto ao assunto. O mesmo assunto de quatro ou cinco anos que, assim como as suas piadas, nunca cansam ou enjoam. E aí acontece um fenômeno muito estranho comigo. Mesmo quando não é bom, mesmo quando cansado e egoísta você não espera por mim e vira pro lado pra dormir ou pra voltar à sua bolha egocêntrica de tudo o que é seu, eu sempre me apaixono por você. Todas as vezes que te vi, nesses últimos quatro ou cinco anos, eu sempre me apaixonei por você. Eu sempre estive pronta pra começar algo, pra tomar um café de verdade, pra passear de mãos dadas no claro, pra poder te apresentar ao sol sem receber mensagens de gente louca ou olhares curiosos, pra escutar uma piada nova. E você sempre ignorou esse fato, seguindo seu caminho que sempre é interrompido pelo vazio da sua camiseta fedendo a churrasco. Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais. Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada. Mas aí, daqui uns dias, igual faz há uns quatro ou cinco anos, você vai me ligar. Querendo pegar aquele cineminha, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo. * Texto da série: Textos para serem lidos mil vezes.

domingo, 29 de agosto de 2010

A mala


As vezes sinto vontade de loucura, e penso, em arrumar uma pequena mala e correr para bem longe, onde todas as pessoas que me conhecem não pudessem alcançar. Inclusive você. Porque eu tenho medo.

Medo que você descubra que meus últimos suspiros foram de saudade, de alguém antes de você.

Medo que você me deixe antes que eu faça isso.

Que acabe antes que eu termine.

Mas, essa sensação desaparece toda vez que sinto seu cheiro e lembro de tudo que passei para conseguir estar aqui, beijando você. Se quer saber, o gosto da sua boca é um dos meus sabores prediletos. Qualquer garota do mundo arrumaria a franja ao passar por você na rua, menos eu. Talvez a mágica esteja na maneira com que eu não me importava. Você era mais um dos milhares de caras que conheci na época de caloura, na verdade, você era o mais idiota.

O idiota se apaixonou pela garota, e meses depois, a garota se apaixonou pelo idiota.

Tarde demais? Quase.

Eu amo você. Porque você gosta de umas séries idiotas, escuta músicas patéticas e acha saber tudo sobre o mundo. Porque você tem um jeito de menino que precisa de carinho e uma pose de homem marrento que não aceita fazer a sobrancelha. Porque você é mais do que o meu ombro amigo, mais do que o beijo de amor e mais do que um sexo proibido com a porta encostada.

Porque eu sou apaixonada pelo seu sorriso, e pela maneira com você me ama para sempre.

Você é diferente de tudo que eu costumava a sentir, então, acredito que nosso fim também deva ser assim.

Inesperado.
Sem lágrimas.

E com uma mala.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Não se deve julgar ninguém, sem saber os motivos do comportamento da pessoa, se deve viver com o coração, agir pela emoção. A maioria das pessoas pensa muito, tem medo de se apaixonar, de gostar de alguém de verdade, e quando gostam muitas vezes nao admitem pra si mesmos , elas acabam sendo mais tristes por viverem pela razão e pensar só no bem fisico. se deve viver para sorrir, e o que te faz sorrir ? Um sorriso de quem se ama, uma palavra que mesmo baixa é verdadeira, risos provocados por besteiras, e não importa se vão te julgar, viva para si. não se deve ter medo de mostrar a verdadeira face, de mostrar a SUA face.