Talvez
Talvez a vida seja mais que uma sequência de dias, de horas mal resolvidas e minutos que custam a passar. Talvez tenha lá os seus motivos, ou talvez o nosso único motivo seja viver, sem destino algum, sem conceitos ou pré-conceitos, aprendizados ou dívidas a pagar. Talvez a vida seja as lembranças que teimam, ou o futuro que ladra, quase morde, e mete medo de tão imprevisível que é. Talvez seja os suspiros, os beijos, o número de vezes que o coração acelerou descompassado ao sentir o cheiro, ao perceber o toque, ou ao honrar seu título de “involuntário” e se apaixonar quando a gente menos esperava. Mas, eu não ficaria surpresa se forem as dores, as ausências, a angústia de perder alguém que daquele momento em diante só existirá em sonho, em retratos, naqueles momentos bobos, despretensiosos, que vivem na memória. Talvez sejam os textos, ou a falta deles. E sendo falta, seria o silêncio, o vazio, o oco, o fosco, o preto, o cinza, e, afinal, por que a vida haveria de ser colorida? Quem foi que disse que a felicidade é uma cor? Só posso dizer que neste momento, neste minuto exato, a minha vida é a falta que sinto do meu amor, das palavras perfeitamente colocadas, do carinho, da certeza. Amor que não tem nome, endereço, não tem um rosto, não existe é só... uma miragem. Mas, talvez isso passe amanhã, e se resolva, e eu esqueça, e não pense nele nunca mais. Porque a vida pode ser mais que alguns momentos, deve ser mais que uma pessoa, e um pouco menos do que achamos que é. Mas, só talvez.
Angel.